Os Druidas & Iona

Os DRUIDAS

Os druidas eram os sacerdotes entre as antigas nações célticas da Gália, Bretanha e Germânia. O que sabemos a respeito deles é tirado dos escritores gregos e romanos, comparado com o que ainda resta da poesia gaélica. Os druidas combinavam suas funções de sacerdotes com as de magistrados, sábios e médicos. Colocavam-se, em relação ao povo das tribos célticas, de maneira bem semelhante à que os brâmanes da Índia, os magos da Pérsia e os sacerdotes do Egito se colocavam diante de seus respectivos povos. Os druidas ensinavam a existência de um deus, a quem davam o nome de "Be'ai", que, segundo os entendidos, significa "a vida de tudo" ou "a fonte de todos os seres" e que parece ter afinidade com o Baal dos fenícios. O que torna essa afinidade mais notável é o fato de os druidas, do mesmo modo que os fenícios, identificarem aquela sua divindade suprema com o sol. O fogo era considerado como símbolo da divindade. Os escritores latinos afirmam que os druidas também cultuavam numerosos deuses inferiores.
 Não usavam imagens para representar o objeto de seu culto, não se reuniam em templo ou construções de qualquer espécie para a realização de seus rituais sagrados. Seus santuários consistiam em um círculo de pedras (cada uma das quais, em geral, de tamanho muito grande), cercando uma área de vinte pés a trinta jardas de diâmetro. O mais célebre deles é o de Stoneheng, na planície de Salisbury, Inglaterra. Esses círculos sagrados ficavam, em geral, perto de um rio, ou à sombra de um bosque ou de um frondoso carvalho. No centro do círculo havia o Cronlech, ou altar, que era uma grande pedra colocada à maneira de uma mesa, sobre outras pedras. Os druidas tinham, também, seus santuários em lugares elevados, com grandes pedras ou montões de pedras no alto dos morros. Eram chamados Cairns e usados para cultuar a divindade simbolizada pelo sol. Não pode haver dúvida de que os druidas ofereciam sacrifícios à sua divindade. Há, contudo, certa dúvida a respeito da espécie de sacrifício que ofereciam, e quase nada sabemos sobre as cerimônias relacionadas com seus serviços religiosos. Os escritores clássicos (romanos) afirmam que eles ofereciam sacrifícios humanos nas grandes ocasiões, como, por exemplo, para obterem a vitória na guerra ou livrarem-se de moléstias perigosas. César descreve minuciosamente a maneira como isso era feito: "Têm imagens imensas, cujos membros são feitos de madeira trançada e se enchem com pessoas vivas. Essas imagens são queimadas e os que dentro dela se encontram vitimados pelas chamas." Muitas tentativas têm sido feitas pelos escritores simpáticos aos celtas para desmentir o testemunho dos historiadores romanos a esse respeito, mas sem sucesso.
Os druidas realizavam dois festivais por ano. O primeiro tinha lugar no princípio de maio e era chamado Beltane ou "fogo de Deus". Nessa ocasião, acendia-se uma grande fogueira em algum lugar elevado, em honra ao sol, cujo benéfico regresso era saudado, depois da sombria desolação do inverno. Reminiscência desse costume perdura até hoje em algumas partes da Escócia, sob o nome de Whitsunday.

O outro grande festival dos druidas era chamado Samti in, ou "fogo da paz", e se realizava no princípio de novembro, costume que ainda permanece na região montanhosa da Escócia, sob o nome de Hallow-eve. Por essa ocasião, os druidas reuniam-se em assembléia solene, na parte mais central da região, para desempenhar as funções judiciais de sua classe. Todas as questões fossem públicas ou privadas, e todos os crimes contra pessoas ou propriedade eram-lhes, então, apresentados, para apreciação e julgamento. Esses atos judiciais estavam ligados a certas práticas supersticiosas, especialmente o ato de acender o fogo sagrado, o qual serviria, por sua vez, para acender todos os fogos da região, que tinham sido, antes, escrupulosamente apagados. Esse uso de acender fogueiras no dia primeiro de novembro foi conservado nas Ilhas Britânicas, até muito depois do advento do cristianismo. Além dessas duas grandes festividades anuais, os druidas tinham o hábito de comemorar a lua cheia e, especialmente, o sexto dia da lua. Nesse dia procuravam o visco que crescia em seus carvalhos favoritos e ao qual, assim como ao próprio carvalho, atribuíam peculiar virtude e santidade. Sua descoberta era uma ocasião de regozijo e culto solene. "Eles o chamam — diz Plínio — por uma palavra que, em sua língua, significa "cura-tudo" e, tendo feito solenes preparativos para as festividades e sacrifício embaixo da árvore, para ali levam dois touros inteiramente brancos, cujos chifres são, então, amarrados pela primeira vez. O sacerdote, vestido de branco, sobe à árvore, e corta, com uma foice de ouro, o visco, que é recolhido em um pano branco, depois do que se processa a matança das vítimas. Ao mesmo tempo, dirigem preces a Deus, para que lhes conceda prosperidade." Era bebida a água em que o visco fora colocado, tida como remédio para todas as enfermidades. 
 O visco é uma planta parasita e, como não é freqüentemente encontrada nos carvalhos, o seu encontro se tornava mais precioso. Os druidas eram mestres de moralidade como de religião. Um valioso exemplo de seus ensinamentos éticos foi conservado nas Tríades dos bardos gaélicos, e dele podemos deduzir que a idéia que faziam da inteira moral era justa em seu conjunto, e que eles adotavam e ensinavam muitas regras de conduta nobres e valiosas. Também eram os cientistas e sábios da sua época e de seu povo. E discutível se estavam ou não familiarizados com o alfabeto, embora haja grande probabilidade de que estivessem de certo modo. E certo, contudo que não passaram para a escrita coisa alguma de suas doutrinas, de sua história ou de sua poesia. Seus ensinamentos eram orais e sua literatura (se a expressão pode ser usada em tal caso) preservada apenas pela tradição. Os escritores romanos, todavia, admitem que "eles prestavam muita atenção à ordem e às leis da natureza, e investigava e ensinavam aos jovens entregues aos seus cuidados muitas coisas referentes às estrelas e seus movimentos, ao tamanho do mundo e das terras e concernente à força e ao poder dos deuses imortais".
 Sua história consistia em narrativas tradicionais, em que eram celebrados os feitos heróicos de seus antepassados. Segundo parecem, essas narrativas eram em versos e constituíam, pois, parte da poesia, assim como da história dos druidas. Nos poemas de Ossian temos, senão verdadeiras produções dos tempos dos druidas, pelo menos o que se pode considerar como fiel representação das canções dos bardos.1 Os bardos constituíam parte essencial da hierarquia druídica. A propósito, observa um autor, Pennant: "Supunha-se que os bardos eram dotados de poder igual à inspiração. Eram os historiadores orais de todos os acontecimentos passados, públicos e particulares. Também eram perfeitos genealogistas" etc. Pennant apresenta uma descrição minuciosa dos Eisteddfods, ou reuniões de bardos e menestréis, que se realizavam no País de Gales durante muitos séculos, muito depois de já terem desaparecido todos os outros setores do sacerdócio druídico. Nessas reuniões somente os bardos de valor podiam apresentar suas peças e somente podiam executá-las os menestréis realmente à altura. Eram nomeados juízes para decidir o valor dos concorrentes e conferir-lhes os graus adequados. Primitivamente os juízes eram nomeados pelos príncipes de Gales e, depois da conquista do país, por designação dos reis da Inglaterra. Conta à tradição, porém, que Eduardo I, em represália à influência exercida pelos bardos para estimular a resistência do povo ao seu jugo, perseguiu-os, com grande crueldade.
Essa tradição ofereceu ao poeta Gray o assunto para a sua conhecida ode, "O Bardo". Ainda se realizam, ocasionalmente, reuniões dos amantes da poesia e da música gaélicas, conservando essas reuniões o seu antigo nome. O sistema druídico estava em seu apogeu por ocasião da invasão romana comandada por Júlio César. Aqueles conquistadores do mundo dirigiram toda a sua fúria contra os druidas, considerando-os seus principais inimigos. Os druidas, perseguidos em toda parte do continente, refugiaram-se em Anglesey e lona, onde encontraram abrigo e continuaram a prática de seus ritos, agora proibidos. Mantiveram seu predomínio em Iona, no litoral e nas ilhas adjacentes, até que foram suplantados e suas superstições vencidas pela chegada de São Columbano, apóstolo da Escócia que converteu os habitantes ao cristianismo.


 IONA

Iona, uma das menores das Ilhas Britânicas, situada perto de uma costa inóspita e acidentada, rodeada por mares perigosos e não dispondo de fontes de riqueza, conseguiu, não obstante, um lugar imperecível na história, como centro de civilização e religião, em uma época em que as trevas do paganismo dominavam quase todo o norte da Europa. Iona ou Icolnkill está situada na extremidade da ilha de Mull, da qual se acha separada por um estreito de meia milha de largura, sendo de trinta e seis milhas a distância que a separa da Escócia. Columbano era natural da Irlanda e parente dos príncipes do país. A Irlanda era, naquele tempo, uma terra iluminada pelo Evangelho, ao passo que o oeste e o norte da Escócia ainda estavam mergulhados nas trevas do paganismo. Columbano, com doze amigos, desembarcou na Ilha de Iona no ano de 563, depois de ter feito a travessia em um frágil barco revestido de couro. Os druidas que ocupavam a ilha tentaram impedi-lo de ali se fixar, e os povos selvagens da costa próxima perseguiram-no com sua hostilidade, e, por diversas ocasiões, puseram sua vida em perigo.
 Graças, contudo à sua perseverança e zelo, ele venceu todas as dificuldades, obteve do rei que a ilha lhe fosse doada e ali estabeleceu um convento, do qual se tornou abade. Era incansável em seus esforços para disseminar o conhecimento das Escrituras no interior da Escócia e nas ilhas adjacentes, e isso lhe assegurou tal prestígio que, embora não fosse bispo, mas um simples presbítero e monge, toda a província, com os seus bispos, ficou sujeita a ele e aos seus sucessores. O monarca dos Pictos ficou tão impressionado com sua sabedoria e dignidade que lhe concedeu as maiores honrarias, e os chefes e príncipes vizinhos procuravam seu conselho e entregavam-lhe a solução de suas disputas. Quando Columbano desembarcou em lona, estava acompanhado por doze companheiros com os quais formou um corpo religioso de que se tornou chefe. Mais tarde, chegaram outros, de maneira que o número original fosse conservado sempre. Sua instituição foi chamada de mosteiro, e o superior, de abade, mas o sistema tinha pouca coisa em comum com as instituições monásticas das idades posteriores. O nome pelo qual os monges foram submetidos à regra era o de culdees, provavelmente derivado do latim cultores Dei, adoradores de Deus.
 Eles constituíam um corpo de religiosos associados para assistirem uns aos outros no trabalho comum de pregação do Evangelho e instrução da mocidade, assim como para conservarem em si mesmos o fervor da devoção, através do exercício comum do culto. Ao entrar na ordem, seus membros tinham de prestar certos votos, mas que não eram os votos habitualmente impostos pelas ordens monásticas, que são três: celibato, pobreza e obediência. Os culdees só estavam presos ao terceiro desses votos. Não se obrigavam à pobreza; ao contrário, trabalhavam diligentemente para assegurar as comodidades materiais a si mesmos e aos seus. Também tinham permissão de contrair matrimônio e parece que, em sua maior parte, se casaram. Na verdade, suas mulheres não tinham permissão de viver em sua companhia, no convento, tendo-lhes sido destinada uma residência em localidade próxima. Existe, perto de lona, uma ilha que ainda se chama Eilen nam ban, Ilha das mulheres, onde, segundo parece, os maridos residiam com suas respectivas esposas, exceto quando suas obrigações exigiam sua presença na escola ou no santuário. Sob este e outros aspectos, os culdees afastavam-se das regras estabelecidas pela Igreja Romana e, em conseqüência, foram considerados heréticos.
O resultado foi que, à medida que aumentava o poder daquela igreja, o dos culdees diminuía. Somente no século XIII, contudo, suas comunidades foram extintas e seus membros dispersados. Eles ainda continuaram a trabalhar individualmente e resistiram à intromissão papal, tanto quanto puderam, até que a luz da Reforma iluminou o mundo. Iona, pela sua posição nos mares ocidentais, estava exposta aos assaltos dos piratas noruegueses e dinamarqueses que infestavam aqueles mares e foi, repetidamente, saqueada por eles, suas casas incendiadas, seus pacíficos habitantes passados a fio de espada. Essas circunstâncias desfavoráveis, juntamente com a dispersão dos culdees por toda a Escócia, acarretou, pouco a pouco, sua decadência. Durante o domínio do papismo, a ilha tornou-se sede de um convento de monjas, cujas ruínas ainda podem ser vistas. Com a Reforma, as freiras tiveram permissão de lá permanecer, vivendo em comunidade, quando o convento foi extinto. Hoje, lona é visitada principalmente devido aos numerosos remanescentes de monumentos eclesiásticos e sepulturas que ali se encontram, sendo as principais a Catedral, ou Igreja Abacial, e a capela do convento de freiras.
Além destes remanescentes eclesiásticos, existem alguns da época anterior, que relembram a existência na ilha de formas de culto e crença diferentes do cristianismo. São os Cairns que se encontram em várias partes e que têm sua origem nos druidas. Foi com referência a todos esses emanescentes da antiga religião que Johnson observou que "é pouco digno de inveja o homem cujo patriotismo não se pôde fortalecer nas planícies de Maratona, ou cuja piedade não se torne mais calorosa nas ruínas de Iona". No poema "Senhor das Ilhas", Scott contrasta, de maneira feliz, a igreja de Iona com a caverna de Staffa, que lhe fica em frente:

A própria natureza parecia

Um templo haver erguido ao Criador!
Para finalidade mais humilde
Levantar não iria tais colunas
Nem sustentar abóbadas tão belas.
Nem é menos solene a harmonia
Que das ondas o eterno movimento
Provoca reboando na caverna
E que de um órgão a música recorda.
Em sua frente se ergue o velho templo
De longa, e de natura a voz potente
Parece lhe dizer: "Muito fizeste,
Frágil filho da argila! Teu humilde
Poder, este imponente santuário
Ao levantar, foi grande.Mas compara
Com meu poder todo esse esforço ingente!




1 Os poemas atribuídos ao bardo Ossiam, que, na realidade, nunca existiu, eram dantitoria do poeta escocês Mac-Pherson.

2 A milha inglesa tem 1.609 metros, e a marítima, 1.852. (N. do T.)
Texto: O Livro de Ouro da Mitologia

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