E
ao entrar no recinto, os olhares se cruzaram e um misto de incredulidade,
surpresa e um tanto de vergonha mesmo se misturou no ar. Os olhares mal se
cruzaram, cumprimentos curtos foram trocados, com olhares baixos. Ela se
manteve de costas, tremia um pouco, disfarçava um muito, tentava manter-se
atenta ao que falavam com ela.
Ela
disfarçava. O corpo estava lá, mas a mente estava longe. Como estava vestida,
se estava maquiada ou não, que cor de cabelos possuía agora, se o peso aumentou
ou não, se ele pensava nessas coisas ou não, nada importava. Ela só pensava em
duas coisas, que queria sair dali o mais rápido possível e como duas pessoas
que passaram metade de suas vidas juntos estavam ali, naquele momento reduzidos
a dois estranhos.
A
sensação era de não acreditar que um dia se amaram, que trocaram juras de amor
entre si, perante Deus e os homens. Parecia que tudo aquilo não havia existido.
Não era dor, saudade, arrependimento ou raiva. Era um nada.
Um
nada tão grande e tangente que tomava conta de todo o ambiente e não importava se
além deles havia mais seis pessoas, o que existia eram os dois, o passado e o
distanciamento.
O
vazio nunca se fez tão palpável como naquele momento e os dois no meio do
desconforto total da situação, tentavam em vão disfarçar o incômodo que aquilo
tudo proporcionou.
E
tudo foi resolvido em poucos momentos. Mas que pareceu uma eternidade e no fim
comprimentos trocados, como no início, olhares cruzados e rapidamente abaixados,
faces rubras e um pouco tristes e a certeza de que houve sim um fim e que nada
mais importa.
A
civilidade silenciosa venceu.
Tudo
tem um início e um fim, e o que houve no meio foi somente uma vida.


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